Democratas Brasil deveria ter demonstrado "unidade" no combate à Covid-19, diz Mandetta - Democratas

Brasil deveria ter demonstrado “unidade” no combate à Covid-19, diz Mandetta

04 maio 2021

Compartilhe

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta participou, nesta terça-feira (4), da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada para investigar a atuação do Executivo Nacional no combate à pandemia causada pelo coronavírus. Durante manifestações aos membros, Mandetta ressaltou que o Brasil deveria ter demonstrado “unidade” sobre as medidas adotadas, como o isolamento social.

“O Ministério da Saúde foi publicamente confrontado, e isso dava uma informação dúbia à sociedade. O objetivo do Ministério da Saúde era dar uma informação, e o presidente dava outra informação. Em tempos de epidemia, você tem que ter a unidade. Tem que ter a fala única. Com esse vírus, o raciocínio não pode ser individual. Esse vírus ataca a sociedade como um todo. Ele ataca tudo”, destacou.

Mandetta ficou à frente do Ministério da Saúde entre 1º de janeiro de 2019 até 16 de abril de 2020, quando se desligou da pasta por divergências de atuação junto ao Executivo. Ainda durante a sessão desta terça-feira, o ex-ministro destacou ter entregue uma carta ao presidente Jair Bolsonaro.

No documento, Mandetta foi taxativo ao recomendar “expressamente que a Presidência da República reveja o procedimento adotado” até aquele momento a fim de evitar o “colapso do sistema de saúde e gravíssimas consequências à saúde da população”.

De acordo com o ex-ministro, o Governo Federal recebeu dados de estimativa traçada pela equipe do Ministério de Saúde, à época liderada por Mandetta, que mostravam que o Brasil poderia chegar a 180 mil mortes até dezembro de 2020.

Apesar da proximidade dos dados, a estimativa foi ultrapassada, e o país contabilizou 195 mil mortes causadas pelo coronavírus até dezembro de 2020.

“Todas as recomendações que fiz foram com base na ciência, na vida e na proteção. As fiz em público, em todas as minhas manifestações. As fiz nos conselhos de ministros. As fiz diretamente ao presidente e a todos os que tinham de alguma maneira que se manifestar sobre o assunto. Sempre as fiz. Ex-secretários de saúde e parlamentares falavam publicamente que essa doença não ia ter 2 mil mortos. Acho que, naquele momento, o presidente entendeu que aquelas outras previsões poderiam ser mais apropriadas”, ponderou.

Vacina

Na reunião do colegiado, Luiz Henrique Mandetta defendeu a vacina como a “única porta de saída” para a pandemia. O ex-ministro explicou que apenas em maio, quando já havia deixado a pasta, os testes de fase 2 começaram a ser realizados. Apenas a partir dessa etapa da produção do imunizante é que os laboratórios começam a negociar encomendas de doses das vacinas.

“Nós tínhamos a perfeita convicção. Doença infecciosa a vírus a humanidade enfrenta com vacina desde a varíola, passando por pólio, difteria e todas elas. A porta de saída era vacina. Em maio, depois que saí dos Ministério da Saúde, os laboratórios começaram a realizar os testes de fase 2. Só ali eles começam a abordar os países com propostas de encomendas. Na minha época não era oferecido, mas eu rezava muito para que fosse. Teria ido atrás da vacina como atrás de um prato de comida”, acrescentou.

 

 

| Com informações da Agência Senado
| Acompanhe a comissão ao vivo pelo canal da TV Senado no YouTube
| Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Voltar

Receba nossas novidades por email