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Ideologia: Eu Tenho

Com o fim do regime de exceção e o restabelecimento do regime democrático brasileiro no final do século XX, houve uma lenta e gradual deturpação no senso comum da sociedade acerca do que representa o pensamento de direita.

Os tristes anos da ditadura, do regime de exceção, acabaram por identificar a direita política como sustentáculo desse regime, que em verdade pouco ou quase nada refletiu o pensamento liberal e conservador consubstanciado na defesa do Estado de Direito ou Rule of Law.

Anos mais tarde, com a ascensão do PT ao poder, com uma máquina de comunicação “nunca antes vista na história desse país”, buscou-se sedimentar o conceito de que a direita representa ditadura, latifúndio, atraso, banqueiro, etc. Demonizaram termos como privatização e neoliberalismo, atrelando-os à direita, como se depreciativo fosse o seu significado . Mesmo porque jamais discutiram, simplesmente, neste tempo de mediocridade e de superficialidade, o debate não era o objetivo, mas sim a aniquilação do pensamento divergente.

A destruição do conceito direita foi tão brutal, que na convenção do DEM realizada em março último, o presidente do único partido de direita do país, senador José Agripino, afirmou que não aceitava a pecha de direita, como se ter o pensamento de direita representasse algo pejorativo.

É necessário que a sociedade debata o tema. Disse ao presidente Agripino que o partido deve expor e defender abertamente o pensamento de direita. Deve dizer à sociedade a que veio, quais suas teses, suas bandeiras, qual é sua ideologia.

A sociedade não suporta partido esquizofrênico, acéfalo, sem ideal, que não é situação, oposição, ou centro, que não pensa e não faz pensar, que não se posiciona, que existe por existir, que existe para abrigar interesses pessoais, para abrigar insatisfações pessoais ou ambições individuais. Político que não tem ideal, posição, coerência e coragem não é político, é apenas uma mariposa em busca de um holofote para morrer sem deixar qualquer legado para a sociedade.

Assim reposiciona-se o Democratas. Vamos falar à sociedade – somos de direita, somos liberais, somos conservadores, defendemos valores e conceitos da família brasileira.

Vamos debater e resgatar conceitos. Vamos dizer que ser de direita, ser liberal e ser conservador é lutar contra um estado paternalista defendido por aqueles que hoje estão no poder, lembrando o pensamento de Kant para quem “Um Governo fundado no princípio da benevolência para com o povo, com o governo de um pai sobre os filhos, isto é, um governo paternalista, imperium paternale, no qual os súditos – tal como filhos menores incapazes de distinguir o útil do prejudicial – estão obrigados a se comportar apenas passivamente, para esperar que o Chefe do Estado julgue de que modo devem eles ser felizes e para aguardar apenas da sua bondade que ele o queira; um governo assim é o pior despotismo que se possa imaginar”

Diremos que somos a favor de um Estado onde as funções serão preenchidas conforme o mérito de cada um e não um Estado aparelhado por um partido político onde a forma de ingresso no serviço público é ter a filiação ao PT.

Defenderemos um Estado limitado, que se atenha a segurança, a estabilidade da moeda, ao respeito aos contratos e às regras, ao direito à vida, a liberdade, a propriedade, a universalização da educação e saúde, que fomente o empreendedorismo.

Lembraremos que a ditadura jamais refletiu o pensamento de direita, pois o pensamento liberal nasceu justamente em contraposição ao direito absoluto do monarca ou ditador. Vamos recordar que a ditadura trabalhou com restrições de direito, com o conceito de Estado ilimitado e paternalista, como, aliás, entendem os que hoje estão no Poder, em absoluta contraposição às ideias liberais.

Resgataremos a história, o pensamento de Aristóteles, Kant, Locke, Adam Smith, dentre outros grandes, para dizer que o ideal democrático tem sua gênese na Revolução Liberal Inglesa (1649), que o pensamento liberal tem na liberdade o alicerce fundamental dos direitos políticos e do próprio Estado. Que o DEM, ainda Frente Liberal, foi responsável pela redemocratização do país na década de 80, o que os atuais detentores do poder tentam esquecer.

Vamos debater ideias, resgatar a história, restabelecer conceitos. Vamos dizer: somos liberais, somos conservadores, somos de direita.

José Eliton de Figuerêdo Júnior é Vice-Govenador do Estado de Goiás

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